Pertencimento! O que isso significa?

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Quando falamos em pertencimento, logo se imagina muitas coisas como: Pertencer ao local de origem? A um grupo específico? Ou pertencer a si mesmo?

Abaixo vamos compreender melhor como essas formas se pertencimento são importantes na vida cotidiana de cada pessoa e como resgatar isso de modo individual.

O que significa se sentir pertencente a um grupo ou lugar? 

Quando se fala em pertencer a um lugar, fazemos referência ao local onde uma pessoa passa ou passou a maior parte de sua vida.

Onde cresceu e se desenvolveu, criou laços, estabeleceu vínculos e vive cotidianamente. Ao falar em grupo, temos como exemplo a comunidade, família, escola, ambiente profissional e social.

O quanto o sujeito se identifica com esses grupos, isso passa a fazer parte de sua vida e da construção de uma identidade.

Portanto, segundo Lestinge (2004), o pertencer tem duas vertentes: a primeira pode estar ligada a fatores políticos, econômicos e étnicos. Enquanto a segunda se refere ao sentimento que o sujeito tem de estar inserido ao seu ambiente.

Por que precisamos nos sentirmos pertencentes? Todas as pessoas devem buscar esse pertencimento?

Porque, constantemente as pessoas se denominam como “sendo algo”, “gostando de algo” ou até mesmo “vivendo algo”.

Mas, a escolha do ambiente e dos indivíduos que o cercam faz toda a diferença em como o sujeito se reconhece e se identifica.

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Então, pertencer é conviver e se relacionar. É reconhecer sua importância singular e coletiva na sociedade, logo, é estabelecer vínculos com as pessoas e o local em que vive.

Portanto, pensando em construção da identidade, a busca pelo pertencimento se torna algo natural

Neste caso, toda a mudança que se julgue necessária e que venha promover maior adaptação e sensação de bem estar ao sujeito, deve ser considerada.

Segundo Bauman (2003), passamos a vida toda construindo nossa identidade. E, consequentemente a escolha do local onde se vive é determinante para se sentir pertencente ou não. 

Qual é a importância do pertencimento? E os benefícios?

Pertencer é importante para que o indivíduo possa se situar no local e tempo em que vive.

Ao se sentir pertencente é possível agregar valores e estabelecer conexões e relações saudáveis consigo mesmo e com seus pares. Porque, neste caso, o pertencimento compreende um papel fundamental na vida do indivíduo e em como ele se relaciona cotidianamente.

Além da promoção de bem-estar, motivação, relações mais duradouras, respeito, comprometimento consigo e com a comunidade em que vive, reconhecimento do seu papel individual e coletivo, entre outros.   

Quais as consequências da falta de pertencimento? Como fazer quando a pessoa não se sente pertencente ao lugar ou à época em que vive?

Não se sentir pertencente é algo bastante subjetivo. Isso gera um sentimento de vazio e rejeição no sujeito, além da falta de referencial de tempo e espaço, controle sobre suas ações e atitudes, desencadeando possíveis transtornos, como ansiedade e depressão.

Estamos falando de uma pessoa que não se sente aceita e consequentemente não consegue estabelecer relações saudáveis ou de empatia com seus pares.

Portanto, a terapia se faz muito necessária, para que o indivíduo promova autoconhecimento e acima de tudo, respeite seus limites e compreenda qual seu papel individual e em sociedade.

Além de melhor lidar com questões que lhe parecem obscuras e de difícil compreensão. Ao se conhecer é possível estabelecer um novo olhar de aceitação sobre si e dos que o cercam. 

Como alguém pode desenvolver esse pertencimento?

É possível desenvolver o sentimento de pertença ao assumir uma postura frente ao que se deseja, daquilo que se acredita ser, dos ideais de vida estabelecidos, das pessoas que escolhe para se estar ao lado e quais os papéis desempenhados pelo sujeito nesse ambiente. 

Mas, para que tudo isso se estabeleça de forma saudável, sugere-se dedicar tempo para se conectar com as pessoas à sua volta. Compartilhar experiências e interagir fortalece vínculos e promove conhecimento e empatia. Praticar atividades em grupo que sejam prazerosas, pois essa troca sinérgica promove bem-estar emocional.

Reservar um momento para conectar-se consigo mesmo. Praticar leituras, Ioga, meditação ou outras atividades individuais que possam fomentar o autoconhecimento e disciplina. Além de respeitar o seu tempo e seus limites para se dedicar a si, às pessoas, e ao mesmo tempo descobrir o que mais gosta de fazer e de como se relacionar com tudo que o cerca.

Algum caso interessante de paciente?

Na clínica já me deparei com uma adolescente que tinha muitas dificuldades de se relacionar com os amigos, familiares e consequentemente com o ambiente social. Não se aceitava, se sentia diferente dos demais e constantemente era alvo de bullying por seus supostos colegas.

Se mudaram muitas vezes, pois a família buscava melhores condições de vida. Portanto, não havia tempo hábil de se conectar com as pessoas e com o local em que brevemente vivera.

Tudo isso lhe trazia um sentimento de não pertencimento, não aceitação e rejeição pelos demais. Se fechava em seu mundo e não permitia o contato com outras pessoas e até mesmo familiares, pelas questões trazidas e por traumas da infância. 

É possível intervir e ajudar o paciente no sentimento de pertença?

Neste caso em específico, trabalhamos de forma em que a paciente pudesse ressignificar o conceito que tinha de si e de suas relações. O autoconhecimento foi fundamental para recuperar sua autoestima.

Aos poucos ela começou a experimentar e se identificar com novas formas de cuidar do próprio corpo, desenvolvendo uma relação mais saudável com este.

Também pôde estabelecer vínculos de confiança com a família e amigos e, em consequência, ter uma vida social mais saudável.

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Referências:

BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Zahar, 2003.

LESTINGE, S. R. Olhares de educadores ambientais para estudos do meio e pertencimento. 2004. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

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